A POPULARIDADE TEM NOME: J.SILVA

De certo você nunca ouviu falar deste nome: João Silva Santos, 61 anos de idade, e que há 40 anos ingressou no rádio como locutor e apresentador. Agora, se citarmos o nome de J. Silva, certamente você ira lembrar na hora e ainda poderá dizer que o conhece pessoalmente.

Muito bem, revelado o nome completo e como é conhecido popularmente, vamos falar deste profissional conhecidíssimo em Colorado e toda a região. Simplesmente ele que em novembro de 2.019 completa 21 anos de sucesso em seu programa que carrega o próprio nome, pela rádio Interativa FM 103,1 de Colorado.

João Silva Santos ingressou no rádio o ano de 1.979, começando a carreira no meio de comunicação pela rádio AM de Colorado, onde trabalhou por cerca de 6 meses. Após este período, J. Silva ingressou na rádio Sociedade de Nova Esperança, e posteriormente foi para o município de Presidente Prudente, trabalhar juntamente com o também locutor Valdecir Silva.

Mais tarde, resolveu transferir-se para São Paulo, onde trabalhou no Sistema Globo de Rádio também em companhia do amigo Valdecir Silva. Passado algum tempo, foi para Maringá, onde atuou na extinta rádio Cultura FM 102,5 voltando em seguida para Colorado. De cara, trabalhou novamente na rádio AM permanecendo por mais de um ano onde após passar este período, fiou-se definitivamente na FM Interativa e se permanece até hoje.

Acompanhe a entrevista exclusiva e surpreendente que o locutor mais popular da cidade e região concedeu ao jornal Folha de Colorado.


FC: Quem é o J. Silva,  como você vê?


J.SILVA: O J. Silva no microfone, é uma coisa, fora do microfone é totalmente outra. As pessoas me ouvem no rádio e pensam “o J.Silva parece ser um cara bravo, um cara ruim, um cara esquisito, radical”… Mas quando passam a me conhecer, elas dão risada e dizem “o J. Silva não tem nada haver com aquilo que eu pensava”, O J. Silva é um cara humilde, simples, um cara que defende muito a classe trabalhadora, os menos favorecidos, aliás, eu me preocupo muito com isto aí. Então, a diferença é esta, né? No microfone, a gente precisa mostrar a realidade, e muitas vezes, fico nervoso com certas situações que nos chamam atenção, quer seja por pare dos governos ou dos movimentos políticos do país.

FC: Você já pensou em entrar na carreira política, ser candidato?

J.SILVA: Já tive muitos convites, mas nunca aceitei.

FC: Por que?

J.SILVA: Porque eu como candidato, talvez não fosse a pessoa que sou. Quando eu preciso de um pedreiro, eu preciso de um pedreiro. Quando chega alguém e diz que é pedreiro, que é serralheiro, eletricista, carpinteiro, que é tudo, eu perco a fé. Acho que a pessoa tem que ter foco. Eu não sei se seria um bom político. Não sei até se sou um bom radialista. Mas pelo menos a gente tem uma audiência muito boa, transmitimos uma confiabilidade e credibilidade diferenciada. E como político eu não sei como seria, visto que tantas pessoas que antes de entrarem na política era de um jeito, e depois que entra, vira safado. Ou seja, ou você lê a cartilha da corrupção, ou então você está fora. E é o que mais acontece neste país. Isto pra mim não serve. Até porque reconheço que não tenho vocação para ser político. Gosto sim, é de estar no meio político, acompanhar os acontecimentos, quem é quem, do porque, aonde, quem. Mas eu, a pessoa J. Silva não tenho a mínima pretensão de seguir uma carreira política.


FC: O J.Silva é uma pessoa tímida?


J.SILVA: Sou. Por incrível que pareça sou muito tímido. Eu me abro bem, sou bastante extrovertido no microfone. Não sei, talvez pelo fato de estar no ar há quase 40 anos, então a gente se habilitou. A gente pega intimidade com o microfone, mas fora do estúdio, sou bastante tímido. Eu não tenho coragem, por exemplo, se tem uma reunião e a pessoa pergunta – “tem alguém aí que gosta de falar?” – Pode ser até que eu gostaria de falar, mas eu não tenho coragem. Outra coisa: até hoje sou solteiro, divorciado, não tenho namorada, não tenho esposa e não gosto de me aproximar, porque sou tímido, só que, depois que me aproximo, sai da frente… (risos)


FC: Você já teve convites para atuar na TV também, porém recusou. Como explica esta grande paixão pelo rádio?


J.SILVA: Eu vejo o rádio como o pai-chefe da comunicação. Veio a televisão, a internet, mas sempre sonhei em ser uma radialista. A televisão exige muito da pessoa, e eu não sou muito amigo da frescura, exemplo: se o meu programa começa às 10 horas, você tem que estar às horas no salão se maquiando, colocando um brinquinho, se ajeitando, passando um batom, passando pó, e tudo mais. Já o rádio é imaginário, no rádio, a pessoa fala que não te conhece, mas te imagina. Imagina você, um sujeito alto, baixinho, gordo ou magro, talvez franzino; imagina você bom ou ruim demais. Televisão é presença, eu penso assim. Não existe meio termo, ou você é, ou você não é. Se você é, faz sucesso, se você não é, também não faz sucesso. O que não faz sucesso. O que não faz sucesso, é aquele que fica no meio termo, igual ao saudoso Clodovil, que Deus o tenha. Ele dizia o seguinte: – “Por muito tempo eu fiquei em dúvida, porém, se tiver um barco de homem de um lado, e de outro, um barco de homossexual, por favor, decida logo senão morro afogado”. – (risos) . Então o rádio pra mim, é primordial, não gosto de televisão. Já trabalhei em televisão, por mais de um ano em Maringá e não gostava, fazia sem vontade. Já o rádio sempre me chamou atenção.


FC: Qual o período mais difícil de sua vida?


J.Silva: O período mais difícil de minha vida, foi na época em que eu trabalhava em um circo. Era difícil, mas engraçado. Foi quando cheguei a São Paulo, não tinha absolutamente nada, nem onde morar, dormia embaixo de viadutos juntamente com os pedintes. Cobria-me com caixas de papelão, e quando acordava no outro dia de manhã, não tinha emprego. As pessoas não queriam me dar serviço, porque eu não tinha documentos e também era menor de idade. Então eu convivia com este povo sofrido e saia pedindo comida nos restaurantes e nas casas, em troca de serviço. Este foi o momento mais difícil. Na realidade, foi um período muito grande de dificuldades em vários momentos de minha vida. Teve outros momentos bastante complicados; quando incendiaram minha casa, também o episódio em que fui esfaqueado em Maringá e fui parar em um leito de UTI. Posso garantir a você que ví a morte de perto. Cheguei a pedir a Deus que cuidasse de minha família, porque já me considerava distante deste planeta terra. Fiquei hospitalizado e paralisado encima de uma cama por meses e meses, desacreditado até pela medicina. Minha família já até tinha preparado um quarto para mim, pois segundo os médicos, mesmo que eu me recuperasse, jamais voltaria a andar, haja vista ter afetado minha medula e a sensibilidade do meu corpo. Por isso na época, era quase certo de que eu ia ficar o resto de minha vida encima de uma cadeira de rodas, o que graças a Deus não aconteceu. Até o neurologista que cuidou de mim, não acreditava que um dia eu pudesse voltar a andar. Tanto é que, quando ele soube que eu tinha voltado a andar normalmente, uma junta médica de Maringá me fez um convite para que eu pudesse ser entrevistado por uma centena de médicos. Fiquei uns três ou quatro dias somente respondendo perguntas, enfim, tive muitas passagens difíceis em minha vida, mas de uns 10 anos pra cá, a coisa realmente mudou. Deus me abençoou de tal maneira, que me sinto recompensado por todos os anos de dificuldades que pela qual eu passei.


FC: Que idade você tinha quando começou a trabalhar no circo?


J.Silva: Eu era adolescente ainda, cerca de 13 anos, fugi com um circo que estava em Colorado, o circo Berlim. Saí por este mundo lá pelo Mato Grosso afora, vendia pirulito no circo, trabalhava de palhaço e no decorrer do dia, saia na cidade procurando frutas passadas – maçãs, bananas, e outras mais pra poder tratar dos macacos. Vendia refresco, sorvete, comer só podia uma vez por dia, então, a coisa era complicada. O meu trabalho era assim naquele circo, fui para o circo porque tinha um sonho. Em meu jeito de criança, de garoto, tinha uma vontade imensa de ser globista, o dono do circo percebeu que meu ponto fraco era pelo globo da morte, fiquei entusiasmado por aquele número. Ele se aproveitou desta minha vontade e me fez um monte de promessas, pedindo pra que eu fosse junto com o circo. Prometeu que em um curto espaço de tempo, eu seria um globista, que iria trabalhar no tão sonhado globo da morte. Mas jamais me deram a oportunidade de eu montar seque na garupa de uma daquelas motocicletas, só precisavam de mim para carregar as peças, (risos).


FC: Qual a qualidade que você mais admira no ser humano?


J.Silva: A humildade. Eu amo de verdade a simplicidade.

FC: E o pior defeito?

J.Silva: O egoísmo. A pessoa tem que ser o que é. Nos dias de hoje, muitas pessoas demonstram ser aquilo que não são. Quando a pessoa passa a ter certa posição social, ela passa a ser muito egoísta, se esquece principalmente daqueles que estenderam a mão quando ela estava precisando. Eu detesto o egoísmo, o descaso, em contrapartida, a gente vê muitas pessoas que às vezes não demonstram o que são. É quando você encontra uma pessoa aparentemente soberba, no entanto, você passa a conhecer profundamente aquela pessoa, e percebe que não é nada daquilo. Na verdade, é portadora de uma humildade muito grande e passa os valores escondidos em nossa sociedade. As pessoas humildes são mais valorizadas, mas para você conhece-las, é difícil. Não temos bola de cristal, por isso não devemos julgar, sem saber antes quem é quem.


FC: Você se inspirou, ou se inspira em algum apresentador, locutor ou artista?


J.Silva: Não. No início eu gostava muito de programação eclética que havia em Maringá. Eu ouvia muito o saudoso Nho Quincas, o João Vrena que tinham um programa popular, ou seja, eu ouvia muito o rádio. Já em São Paulo, eu ouvia muito o Eli Correia, Paulo Barbosa, Paulo Lopes, artistas diferenciados. Contudo, sempre fiz do meu jeito, como Deus me deu a dádiva comecei a aprender no rádio sem precisar de imitar ninguém. Isto nunca passou pela minha cabeça, prefiro ser bem natural.


FC: Qual a música que mais te marcou?


J.Silva: A música que mais marcou a minha vida foi “amigos pra valer”… inclusive é de minha composição e gravada por mim, com a participação do meu filho, o Jota Júnior. Aliás, o Jota Júnior é um filho sempre presente. Apesar de eu ter outros filhos, eles não convivem comigo, Já o João Carlos (Jota Júnior) nunca saiu da aba do meu chapéu, desde criança; passamos muitos momentos difíceis. Ele sempre me ajudando, tornando- se um grande parceiro. Para mim, Deus em primeiro lugar, e em segundo o João Carlos, que tem sido este fiel escudeiro esta válvula de escape, tanto nos momentos alegres, como também nos momentos difíceis. Tudo isso sem querer menosprezar os demais filhos. Com relação a pergunta, eu compus esta música com lagrimas nos olhos e com o coração sofrendo, pois só eu sei o momento difícil que estávamos passando. Diante disto, quando escuto a música Amigos pra Valer, me emociono. Mas existem outras músicas, gosto muito de música popular, conhecida como música brega, e o meu cantor favorito sempre foi o Odair José, que passou a ser um amigo, um parceiro de composição. Ele tem muitas músicas gravadas de minha autoria.


FC: Qual o momento mais emocionante e o mais alegre de sua vida?


J.Silva: Foi quando saltei de paraquedas, coisa que eu nunca imaginava fazer na minha vida e até me emociono. Um salto com até 6 mil metros de altura para quem tinha medo de viajar até de avião… Um dia consegui viajar de avião e o medo foi passando. Mas jamais poderia pensar que um dia fosse saltar de paraquedas. Foi durante uma festa de rodeio aqui mesmo em Colorado, O Carlesse (empresário de artistas) me presenteou com este salto e foi muito emocionante. O momento mais alegre de minha vida foi quando muito tempo atrás, meu grande sonho era o de ser cantor. Como te falei, meu cantor preferido era o Odair José, e eu andei quilômetros e quilômetros, morei em São Paulo, no Rio de Janeiro, sempre no intuito de conhecer pessoalmente o Odair José. Mas eu não tive condições, não tive oportunidade. Voltei para o Paraná ainda com este sonho. Um dia, com minhas composições feitas, mandei para ele através de pessoas, e por coincidência, pela graça de Deus, ele viu meu trabalho, gostou e quando menos esperava, num certo dia, recebí um telefonema (que nem acreditei na hora) da gravadora Continental, de São Paulo, dizendo que o cantor Odair José queria falar comigo. Aquilo para mim foi um espanto, porque passei tantos anos de minha vida em São Paulo, e não conseguia sequer vê-lo em shows, pois era um artista muito famoso na época. De repente você recebe uma ligação dele? – “Vocês estão gozando comigo” – e eles responderam – “na verdade, o Odair vai te ligar a tarde” -. Eu fiquei tremendo, pois não via a hora, cada vez que o telefone tocava, eu achava que era ele. Até que finalmente ele me ligou. – “Olha, aqui é o Odair José…”. Assim mesmo eu fiquei na dúvida, mas percebi que era verdade, porque ele me disse: – “Eu estou passando agora para você, o meu endereço e se tiver alguma coisa para pagar, eu vou te pagar. Quero que você pegue um ônibus ou um avião, e venha para São Paulo, você vai ficar hospedado em minha casa, preciso conversar contigo e quero gravar suas músicas”. Falei para os meus amigos na época e eles riram da minha cara, não acreditaram. Pensaram que eu estava mentindo. E quando peguei o ônibus e fui para São Paulo, lá estava ele para me recepcionar, me levou para a casa dele, passamos a ser amigos e, à partir daquele dia ele começou a gravar as minhas canções.


FC: O que significa ser um vencedor para você?


J.Silva: Eu me sinto na verdade um lutador. Me sinto um herói. Sinto que ainda tenho muito para lutar, superei todas as barreiras mas ainda tenho muita coisa para vencer. Não vou dizer que sou um vencedor cem por cento porque no dia-a-dia a gente luta e, o vencedor é quando tudo termina. Eu venci até aqui. Cheguei até aqui. Ponto final. Sinto-me um instrumento de tudo que faço, Deus me guia, me protege, e me dá as coisas, eu não peço nada para Deus, só agradeço. O que eu peço a ele é somente saúde e inteligência. Tendo isto, eu consigo tudo o que almejo na vida, e é o que tem acontecido. Estou sempre de bem com a vida, durmo bem, só não sou mais feliz, porque gostaria que todas as pessoas fossem felizes assim como eu sou.

FC: Quem é Deus para você?

J.Silva: Deus é tudo. É o ar, é a flor, Deus é o alimento, o sonho, a tranquilidade, o sorriso.

FC: Qual o maior sonho do Jota Silva?

J.Silva: É viver dia-após-dia, como se eterna fosse a vida, só isso.


Fonte: Folha de Colorado – Autor: Gelson Silva

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